Os e-consumidores vão (mais) às compras

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De carona no avanço do e-commerce, marcas de roupas e acessórios apostam nesse potente canal de vendas para ampliar resultados

Esqueça-se daquela visita rápida ao shopping com suas filas, vendedores invasivos e o arrependimento pela compra malfeita. O hábito de consumir vem mudando drasticamente nos últimos anos, principalmente quando a internet entra em cena. Na rede, é possível observar cuidadosamente o produto que se deseja pedir, avaliar as opiniões de quem já comprou e decidir efetivamente pelo negócio na hora mais conveniente ao cliente. Com isso, crescem o volume das vendas e também o número de empresas que investem nesse canal. Já temos mais de 17 milhões de e-consumers no Brasil, e só neste ano as vendas devem registrar aumento de 25% a 30%, conforme levantamento da e-bit, empresa de informações de e-commerce. No perfil desse consumidor, predominam as mulheres, com 51% de participação nas compras, e a classe C, que representa 42% dos compradores.
Atenta a esse novo ambiente, a indústria da moda não tem perdido tempo. Tanto que a categoria desponta entre diversos segmentos. Em 2009, teve um crescimento de 108% em relação a 2008. Para Alexandre Umberti, diretor de marketing, produtos e inteligência da e-bit, alguns fatores garantem a boa performance. “Hoje, o consumidor pode visualizar o produto, tem a opinião de outras pessoas sobre esse item, além de plataformas mais seguras para a compra”, afirma. Entretanto, ele destaca a falta de padronização na moda. “Se falarmos de camisetas, ainda é fácil vender. Mas um vestido, por exemplo, esbarra nesse problema. Enquanto a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) não avançar com as novas normas de medidas, as grifes devem trabalhar com a possibilidade de troca por parte do consumidor”, salienta.
De olho nesse movimento de mercado, inúmeras marcas tradicionais e novos negócios vão pegando carona no e-commerce. Estreante no segmento, o Clube da Calcinha (http://www.lojaclubedacalcinha.com.br/) obtém sucesso na rede graças ao mix de serviço com produtos. Com 200 mil acessos mensais e 1 milhão de page views (número de vezes que as páginas foram visitadas), o Clube funciona como uma espécie de amiga das mulheres. “Tudo começou com um blog, em 2005, em que relatávamos conversas do universo feminino. Lingeries sempre estiveram em pauta”, diz Maria Cláudia Klein, sócia-fundadora. A ideia inicial foi a de orientar outras consumidoras para que não errassem na escolha. “Comprávamos em vários sites e vinham tamanhos absurdos, sem nota fiscal. Vimos o que deveria e poderia ser melhorado”, acrescenta. Com a audiência do blog subindo, grandes marcas de lingerie começaram a cortejar as sócias. Fecharam com a Valisère, a Hope e a Liz. O start-up aconteceu no fim de 2009 e o aprendizado é diário. “Há uma procura por mercadorias mais sensuais. Isso acontece pela timidez que as pessoas ainda têm em comprar um item mais ousado na loja física. As lingeries de tamanho G também registram boa procura.” Os homens, segundo ela, também gostam de comprar para presentear, fora que o Clube já atende clientes em vários estados, lugares em que tais peças não chegam no comércio tradicional.
Mesmo com o pouco tempo de vida da loja Fashion para Menores (http://www.fashionparamenores/.com.br), lançada em dezembro passado, o proprietário Emerson Paiva também já descobriu que sua e-clientela está fora de São Paulo. “Acompanho o crescimento do e-commerce e, por viajar muito (ele trabalha em logística e comércio exterior), tenho acesso a muitas novidades que não estão ainda no Brasil”, disse. Assim, ao identificar uma moda infantil diferenciada, sem o tradicional azul e rosa, com estampa de bichinhos, decidiu criar a loja. “No comércio eletrônico, consigo formar clientes em todo o país. Não estamos presente só em um mercado, mas em todos”, defende. Entre os e-consumers da Fashion para Menores, lideram as mulheres. “Normalmente são mães perto dos 30 anos, profissionais liberais que fazem compras na hora do almoço ou à noite”, informa. Para instigar o acesso e as compras, Paiva utiliza anúncios em revistas segmentadas, além de usar mídias sociais. “Ao fechar o primeiro ano de operação, quero vender cerca de 500 a 600 peças por mês”, diz. Enquanto isso não acontece, Paiva mantém seu trabalho como consultor de negócios. “Posso dizer que levo a loja num BlackBerry (aparelho celular). Consigo monitorar tudo”, afirma.
Imagem é tudo
Outra loja novinha em folha na rede é a Surface To Air (www.surfacetoair.com.br), negócio gerado a partir do polo criativo formado em 2000 com profissionais de diferentes áreas como música, arte e moda, em Paris. No ar desde janeiro, a loja segue modelo da filial francesa. Karina Mota, sócia do empreendimento, conta que, para atender bem os clientes, houve um apurado trabalho na qualidade das imagens dos produtos: roupas, acessórios e calçados. “Como você não vê, não pega a peça, precisávamos transmitir ao consumidor imagens bem fiéis”, comenta.    Recém-nascida, a loja já registra uma média de 700 visitas diárias, com acessos em 15 países. “Como o polo criativo agrupa outros negócios no Brasil como um restaurante, agência, agregamos novos públicos à loja, fator essencial num negócio desse tipo”. Ela tem total razão. Para potencializar o e-commerce, é vital promover o aumento do tráfego de internautas. Para Alexandre Umberti, da e-bit, “estar nos sites comparativos de preços on-line como Buscapé e Bondfaro ajudam, além de comprar mailings com o cadastro de e-consumidores, usar as mídias sociais e fazer associações com portais complementares são algumas outras dicas.”
Campeão de vendas
Lançada em agosto de 2005, a Camiseteria (http://www.camiseteria.com.br/)    sabe como ninguém gerar audiência na rede e vender. “Conseguimos encontrar um modelo bem interessante de e-commerce. O usuário tem uma experiência completa. Entra na loja não só para consumir, mas para conhecer pessoas, participar da criação dos produtos, tem poder de voto e valoriza a marca”, diz o sócio Fabio Seixas. Com 170 mil usuários cadastrados e 15 mil visitas diárias, a Camiseteria não para de avançar. “Dobramos de tamanho em 2009″, afirma. Depois de cinco anos no ar ganhando intimidade do e-consumer, Seixas antecipa que a empresa manterá sua tradição de dialogar e atender o desejo dos usuários. “Temos mais demanda do que oferta. E neste ano vamos lançar camisetas polo e modelagens femininas, além de produtos para o inverno.”
Últimos retoques
Prestes a entrar no ar, a loja virtual da grife de sapatos Carolina Martori também quer viver e conviver com os e-consumers. Guilherme Martori, diretor de marketing, diz que a loja deve ser lançada em março e servirá para ampliar as vendas e criar um canal de distribuição, abrindo a possibilidade do consumidor-final de todo o país ter acesso à marca. “Com o crescimento dessa tendência de consumo, acreditamos atingir cerca de 50% no total de vendas de nosso negócio no futuro”, diz.
Por Leonardo pessoa – Costura Perfeita

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